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Bruno Alves aposta numa freguesia para todos com eficiência, proximidade e inovação

O presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra apresenta as suas prioridades, fala sobre os desafios da gestão local e defende uma política próxima das pessoas e das associações.

Bruno Alves assumiu recentemente a presidência da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, após as eleições de outubro. Com 39 anos, é licenciado em Gestão e tem uma pós-graduação em Inovação e Empreendedorismo. O seu percurso profissional passou pela gestão de projetos, comunicação e marketing. No associativismo, tem mais de 25 anos de dedicação à comunidade, com ligações ao Clube de Futebol Os Armacenenses, Paróquia, Escola, Escuteiros, Pólis Apoteose e APEXA. Agora, diz sentir que “chegou o momento natural de continuar a servir a terra onde cresceu”.

O que o motivou a candidatar-se à presidência da Junta?

Bruno Alves:
Foi um processo natural, movido sobretudo pela paixão que tenho por Armação de Pêra. As minhas raízes estão aqui desde o meu trisavô, um dos fundadores da vila, pescador e mestre de embarcação. Essa ligação familiar e emocional fez nascer em mim um sentido de responsabilidade e vontade de contribuir.
A minha experiência associativa e o trabalho em várias instituições locais levaram-me a querer dar este passo e assumir a presidência da Junta é a forma mais direta de servir a comunidade.

Como foi a experiência durante a campanha eleitoral?

Bruno Alves:
Apesar de sempre ter gostado de política e participado em campanhas, ser candidato é completamente diferente. É um processo muito mais exigente, que envolve grande desgaste físico e emocional.
Tive de gerir expectativas, lidar com contra-informação e manter a serenidade. Mas mantivemo-nos fiéis à nossa linha: uma campanha positiva, próxima das pessoas e centrada em propostas concretas.
Tive uma equipa excecional, composta por pessoas competentes, com grande dedicação à vila. Isso fez toda a diferença. Foi uma campanha dura, mas muito enriquecedora.

E quando soube que tinha vencido?

Bruno Alves:
Sabia que seria uma eleição renhida, mas tínhamos boas indicações. Quando recebi a confirmação da vitória, a minha primeira reação não foi de euforia, mas de responsabilidade.
Cumprimentei os adversários e manifestei a vontade de contar com todos. Armação de Pêra é uma freguesia complexa, que exige cooperação. A ficha só caiu verdadeiramente nos dias seguintes, quando percebi o peso do cargo e o muito trabalho que temos pela frente.

Quais são os principais objetivos para este mandato?

Bruno Alves:
A prioridade máxima é a limpeza urbana e o espaço público. Foi o nosso principal compromisso e será a nossa maior meta: garantir uma freguesia limpa, cuidada e eficiente.
Paralelamente, queremos modernizar os processos administrativos e reforçar a articulação com o município.
O segundo grande eixo é o das pessoas, da cultura e da identidade local. Pretendemos criar respostas para problemas sociais, promover a inclusão e valorizar as nossas raízes culturais.

O programa “Mais Comunidade” será a base dessa intervenção social — queremos combater a pobreza e a exclusão, apoiar jovens e idosos e dar novas oportunidades a quem precisa.
Na área cultural, queremos menos eventos, mas com mais qualidade. Pretendemos descentralizar a oferta e criar atividades também fora da época balnear, como a celebrações de datas simbólicas.
Apostamos ainda na autonomia das associações, para que estas possam dinamizar a freguesia em parceria connosco.

A limpeza tem sido uma das maiores preocupações dos armacenenses. Que medidas estão a ser tomadas?

Bruno Alves:
Estamos a reformular os processos de trabalho e a introduzir tecnologia para aumentar a eficiência.
A Junta está a implementar ferramentas de gestão, controlo, novos mapas operacionais e administrativos, bem como softwares de apoio à comunicação e transparência.
Também estamos a rever o modelo de delegação de competências e a reforçar os recursos humanos, sobretudo na época balnear.
A limpeza é uma responsabilidade de todos: Junta, município, empresas e população. Queremos criar uma visão partilhada e sustentável.

E no campo ambiental?

Bruno Alves:
Vamos adaptar-nos às novas diretivas europeias de reciclagem que entraram em vigor em Janeiro de 2025. Pretendemos reduzir em 80% o uso de papel, através da digitalização administrativa, e cumprir as metas de sustentabilidade.
Também estudamos formas de incentivar a economia circular — por exemplo, criando benefícios para quem adota práticas ecológicas e apoiando o comércio local.
Estamos à procura de formas de fazer isso. Na primeira fase serão os privados que se terão que adaptar de uma forma mais evidente. Por exemplo, as grandes superfícies como o Pingo Doce, o Continente, o Lidl, as grandes superfícies de venda que tenham venda de produtos alimentares. Têm que ter um ponto de recolha onde vão recolher garrafas de plástico, papelão, em troca de desconto. Isso também poderá fazer no futuro também, colocando aqui algum ponto, que possa trabalhar nesse sentido. Na troca, por exemplo, de um valor de desconto para usar no comércio local. Uma atitude responsável ecologicamente e ambiental, ter também um retorno que pode reverter novamente para a comunidade através da promoção do comércio local.

Existem medidas de apoio social em vigor?

Bruno Alves:
Temos a gestão direta da distribuição de cabazes alimentares semanais para famílias carenciadas e o apoio diário a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Em parceria com o Município e a rede social local, apoiamos famílias com dificuldades económicas e trabalhamos com instituições como a Casa do Povo de Messines em projetos de inclusão de pessoas com deficiência e problemas psicológicos e mentais.
Queremos reforçar esta rede e, sobretudo, comunicar melhor os apoios existentes, para que cheguem a todos os que precisam.

Que projetos estruturais estão previstos?

Bruno Alves:
Há várias intervenções prioritárias. O Governo anunciou a requalificação e expansão da Escola EB 2/3 Dr. António da Costa Contreiras, e o Município vai intervir na requalificação do Centro de Saúde. Já se comprometeu para um novo Jardim de Infância, que é a mais prioritária e temos que resolver. Temos uma outra fase que é a desportiva e cultural, das quais vamos dar propostas ao Município.
Defendemos, ainda, a criação de um novo espaço cultural polivalente, na zona da Praça Velha, para associações e projetos nas áreas cultural, social e tecnológica.
Queremos melhorar as condições de trabalho dos funcionários da Junta para que tenham um espaço pata refeições, um balneário, para se reunirem, uma zona de descanso, para que possam ter condições mais dignas de trabalho. Criar espaços verdes e requalificar o Mercado Municipal — um dos projetos mais urgentes.
Em paralelo, vamos lançar o Protocolo de Apoio às Associações, com critérios mais justos e transparentes. E que reforcem a autonomia das associações. Queremos ajudá-las a crescer, incentivando o investimento e reforçando a oferta e a capacitação humana.
Na área económica, queremos apoiar o comércio local através da promoção digital, formação e valorização das ruas comerciais durante todo o ano. E essa é uma estratégia que queremos seguir, de criar formações e que queremos convidar o comércio local a vir às instalações da Junta de Freguesia para que possam ter estratégias de como é que podem aumentar o rendimento, reduzir custos e aumentar os seus rendimentos.

O que planeia para o setor cultural?

Bruno Alves:
A cultura é essencial para a nossa identidade. Queremos combater a sazonalidade e criar eventos durante todo o ano, em parceria com as associações.
Mais do que quantidade, queremos qualidade, tanto nos eventos como nos serviços e na vida pública.
A nossa estratégia é dar mais autonomia às associações, porque uma comunidade só cresce quando o seu movimento associativo é forte.

Que papel terão os jovens neste mandato?

Bruno Alves:
Nós temos aqui um projeto que queremos pôr ao nosso serviço, que é pôr os jovens a gerir alguns processos de freguesia, quer de comunicação, de projetos de participação, na decisão do executivo, na questão das assembleias participadas, de abrir aos jovens a oportunidade de participarem e de conhecerem. E daí nós queremos trabalhar com vários projetos que queremos criar.

Um deles será um projeto direcionado exclusivamente com a juventude para criar oportunidades para que os jovens possam participar e possam criar os seus próprios projetos, as suas próprias ideias na comunidade. E esse é algo que nós queremos abrir muito. Posso já dizer aqui uma ideia de que nós queremos criar um podcast em que queremos que a juventude faça parte.

E faça parte da produção, quer do podcast, quer também da participação enquanto jovens. Digamos assim, criar aqui uma voz da juventude dentro da freguesia. Tudo depende da nossa disponibilidade de orçamento para comprar os equipamentos. Tudo depende também da vontade de outras associações e entidades para participar neste projeto. Mas queremos que seja o mais breve possível.

 

E quanto à população sénior?

Bruno Alves:
Temos o projeto “Mais Comunidade” que abrange os seniores. Já estamos a trabalhar nele, com algumas reuniões. Este projeto serve para que possam criar aqui projetos que vão confluir com os projetos sociais. Também um projeto onde a comunidade se pode encontrar e se pode criar vários momentos de espaço de lazer, de passar um tempo de lazer e tempos livres.

O que vai mudar?

Bruno Alves:
Queremos uma comunicação mais clara, compreensível e contínua.
Vamos reformular o site, criar um balcão digital, divulgar relatórios acessíveis e abrir dias de atendimento direto com o presidente.
Além disso, queremos promover literacia política, explicar o que é competência da Junta e o que depende de outras entidades.
As pessoas têm o direito de saber o que acontece na sua Junta. Transparência é comunicar melhor, não apenas mostrar números.

Como será a relação com a Câmara Municipal e os partidos representados?

Bruno Alves:
A relação com a Câmara será de cooperação e diálogo. As questões partidárias ficam de fora da gestão.
Queremos construir pontes, trabalhar com todos os partidos e incluir as suas propostas no orçamento.
A política local deve ser um espaço de colaboração em prol do bem comum.

O que gostaria de alcançar até ao fim do mandato?

Bruno Alves:
O primeiro ano será de bastidores: reorganização, digitalização, revisão de regulamentos e implementação de novos métodos de gestão.
As mudanças mais visíveis surgirão a partir do segundo ano, quando os resultados se refletirem na eficiência e na proximidade da Junta com os cidadãos. Sobretudo porque, como passamos de um executivo de 3 para 5 pessoas, e como passamos também de uma freguesia que passou, pela primeira vez na sua história, os 5 mil leitores, isso vai também, e também há alterações à lei que estão a ser agora implementadas, que vai-nos obrigar internamente a alterar alguns processos. Alterar processos, contratar softwares e contratar novas equipas.

Quero deixar uma Junta moderna, digital e próxima das pessoas, uma Junta que mede, comunica e melhora continuamente o seu desempenho.

E como gostaria de ser recordado?

Bruno Alves:
Temos que primeiro medir o nosso trabalho, para depois implementar processos de eficiência. Processos de eficiência que passam a primeira fase por medir, através de software e tecnologia, e depois futuramente implementar mecanismos de inteligência artificial, que melhorem todos os processos. E este é um caminho que nós queremos fazer, e vai ser um caminho que eu quero deixar, sobretudo o aumento de eficiência.

Para que depois, tudo o resto possa crescer a partir daí. Mais eventos culturais, mais processos económicos, melhorar processos de limpeza, melhorar processos de serviço público, melhorar processos em toda a qualidade de vida, de espaço público.

Ser eficiente, e eficiência, que depois vai-se traduzir no que eu quero ser reconhecido. Por exemplo, mais próximo das pessoas, porque mais eficiência vai-me permitir estar mais tempo na rua, falar e estar próximo das pessoas. E eficiência que me vai permitir criar projetos, que permitam reformar e fazer política de uma forma diferente.

Ou seja, aquilo que eu quero ser reconhecido como: este Presidente fez um projeto inovador dentro da Junta de Freguesia. E acho que eu quero que seja reconhecido que é o Presidente que inovou a forma de fazer política, que inovou a Junta de Freguesia, que fez as coisas de forma diferente.

Pensa recandidatar-se?

Bruno Alves:
É uma vila e é uma Junta de Freguesia muito complexa de gerir, muito difícil, é muito desgastante, muitas horas. E eu vejo o serviço público como uma missão.

Então, eu não posso responder sobre aqui a quatro anos, candidatar-me ou não. O que eu posso responder é que, nesses quatro anos, eu vou ter a missão de tudo aquilo que eu disse na entrevista. Ou seja, inovar, executar, comunicar.

É um compromisso, trabalhar para inovar, inovar para executar e executar para comunicar.

É o legado que quero deixar. E depois, a partir daí, podem aparecer outros desafios, em outros sítios, mas a minha intenção é servir e melhorar.

Que mensagem final deixa aos armacenenses?

Bruno Alves:
A mensagem que deixo é clara: peço confiança nesta equipa. Não porque temos cargos, mas porque temos pessoas com capacidade, com seriedade e com vontade real de trabalhar por Armação de Pêra.

As mudanças que queremos implementar não dependem só do presidente. Dependem da força e da competência de toda a equipa. São eles — com a sua experiência profissional, com o seu rigor, com o seu sentido de responsabilidade — que vão trazer uma forma diferente de fazer vida pública.

Quando falamos em inovação, não estamos a falar de discursos. Estamos a falar de práticas: processos mais organizados, serviços mais eficientes, decisões mais fundamentadas. Queremos elevar o padrão. Mais qualidade no atendimento, na gestão do espaço público, na forma como tratamos as pessoas.

E queremos ajudar as associações a crescer. Associações mais fortes significam uma comunidade mais forte. Queremos que tenham melhores condições, mais apoio, mais capacidade de atuar. Isso traduz-se em impacto direto na vida das pessoas.

O compromisso é simples: trabalhar bem, fazer bem e cumprir o que dizemos. Os armacenenses podem esperar exigência, proximidade e resultados.

 

 

 

Cátia Rodrigues