A Pastelaria Tentação, na Rua José Prudêncio Vieira, em Armação de Pêra, enche-se de cor, boa disposição e novelos de lã com o Grupo de Crochê e Tricot.
Entre conversas, gargalhadas e agulhas, um grupo reúne-se todas as quartas-feiras para fazer crochê.
Tudo começou como uma simples partilha de um gosto comum, mas em tanto pouco tempo transformou-se num projeto solidário que tem objetivo de aquecer corações e corpos. Gorros, cachecóis, mantas e meias são produzidos para serem distribuídos para pessoas em situação de vulnerabilidade, instituições e para quem mais precisa.
«Recebemos doações de fios e transformamo-los em peças que oferecemos no Natal. Já fizemos gorros, meias, pantufas e mantinhas que vão parar a quem mais precisa», conta Manuela, uma das responsáveis pelo grupo. “É um trabalho que nos dá prazer, mas também um propósito. Cada peça feita é um pequeno gesto de carinho».
O grupo nasceu de uma ideia simples: criar um espaço de convívio, partilha e solidariedade. Inicialmente, havia apenas um grupo de crocheteiras estrangeiras, que se reunia em inglês, no Bar Water Dog. Mais tarde, com o entusiasmo crescente, surgiu também um grupo em português — aberto a todos os que queiram aprender ou simplesmente conviver. «Qualquer pessoa pode participar. Não é preciso experiência, nem trazer material — o importante é ter vontade», explicam as organizadoras.
O objetivo é ambicioso: repetir o sucesso do último Natal, quando foram produzidos cerca de 500 gorros para distribuir entre várias instituições da região, incluindo o Centro de Apoio aos Sem-Abrigo (CASA), o Lar de Alcantarilha, Castelo dos Sonhos, em Silves, e em Armação de Pêra. Este ano, a meta sobe para 555 gorros — e o grupo parece determinado em alcançá-la.
Além de partilharem agulhas e novelos, as participantes partilham histórias de vida. Algumas estão reformadas, outras são estrangeiras que passam o inverno no Algarve. «Temos pessoas de várias idades e nacionalidades. O crochê é o que nos une — é terapêutico, relaxante e cria laços», diz Vicky, uma das fundadoras.
Entre ponto alto e ponto baixo, há sempre tempo para conversar sobre o dia a dia, recordar memórias ou planear novas ideias. «Não é só crochê», sorri Manuela. «É amizade, é companhia, é sentir que ainda fazemos parte de algo bonito», acrescenta.
O grupo, que já conta com quase dois anos de história, sonha agora com um espaço próprio, onde possam reunir-se com mais frequência e, quem sabe, ensinar também as gerações mais novas.
«Precisamos de jovens. É importante que aprendam estas artes, que não se percam», sublinha Manuela.
Por enquanto, a Pastelaria Tentação continua a ser o ponto de encontro de todas as quartas-feiras, das 14h30 às 16h30.
E o convite fica feito: quem quiser juntar-se, aprender, doar materiais ou simplesmente passar um bom bocado, será sempre bem-vindo. Afinal, entre agulhas, linhas e amizade, o crochê de Armação de Pêra tece muito mais do que lã — sabe a solidariedade.
O Grupo de Crochê e Tricot é uma organização da Associação Cultural e Recreativa de Armação de Pêra (ACRAP).

